Possessed - Seven Churches: o nascimento brutal do Death Metal
Possessed — Seven Churches: o nascimento brutal do Death Metal
Poucos discos na história do metal extremo carregam o peso histórico de Seven Churches, estreia do Possessed. Lançado em 1985 pela Combat Records, o álbum é frequentemente apontado como um dos primeiros — e por muitos, o primeiro — verdadeiro disco de Death Metal.
Mais do que simplesmente acelerar o Thrash Metal, o Possessed criou uma sonoridade mais agressiva, sombria e brutal, ajudando a estabelecer uma nova linguagem que seria desenvolvida posteriormente por bandas como Death, Morbid Angel, Obituary e dezenas de outros nomes da cena extrema.
Quando o Thrash ficou ainda mais extremo
Gravado entre 30 de março e 5 de abril de 1985, no Prairie Sun Studios, na Califórnia, Seven Churches apresenta pouco mais de 39 minutos de música. Randy Burns ficou responsável pela produção.
A formação reunia:
- Jeff Becerra — vocais e baixo
- Mike Torrao — guitarra
- Larry LaLonde — guitarra
- Mike Sus — bateria
LaLonde, que mais tarde ficaria conhecido pelo trabalho no Primus, ainda era muito jovem quando participou da gravação.
O resultado foi uma mistura explosiva de Thrash Metal, Speed Metal e elementos que posteriormente seriam associados definitivamente ao Death Metal.
Uma capa que virou símbolo do metal extremo
A capa de Seven Churches é tão importante quanto sua música.
O fundo negro, o logotipo flamejante, a cruz invertida e a estética demoníaca apresentavam visualmente a proposta do grupo.
O próprio título faz referência às Sete Igrejas da Ásia mencionadas no Livro do Apocalipse.
Na época, essa combinação de música extremamente agressiva, letras satânicas e iconografia obscura ajudou a diferenciar o Possessed dentro da crescente cena underground americana.
Faixa a faixa
1. “The Exorcist”
A abertura já deixa claro que o álbum não pretende fazer concessões. A introdução utiliza uma versão executada pelo produtor Randy Burns de material associado a Tubular Bells, conhecido pelo uso no filme The Exorcist. Em seguida, o Possessed explode em riffs rápidos e vocais agressivos.
2. “Pentagram”
Uma das músicas mais emblemáticas do disco. O riff acelerado e a atmosfera obscura ajudaram a estabelecer a identidade do grupo.
3. “Burning in Hell”
Aqui o Possessed mostra sua capacidade de combinar velocidade com uma atmosfera ameaçadora, característica que se tornaria fundamental no Death Metal.
4. “Evil Warriors”
Uma verdadeira aula de agressividade do metal underground dos anos 1980.
5. “Seven Churches”
A faixa-título é uma das peças centrais do álbum e resume perfeitamente sua estética: velocidade, peso e temática ocultista.
6. “Satan's Curse”
Um dos momentos mais sombrios do disco, com riffs cortantes e vocais que ajudaram a estabelecer o estilo de Jeff Becerra.
7. “Holy Hell”
Outra composição marcada pela combinação entre Thrash e a brutalidade que começava a definir o novo gênero.
8. “Twisted Minds”
Com mais de cinco minutos, é a faixa mais longa do álbum e permite que a banda explore diferentes mudanças dentro de sua sonoridade.
9. “Fallen Angel”
Rápida e agressiva, mantém a intensidade praticamente até o último segundo.
10. “Death Metal”
O encerramento não poderia ser mais simbólico. A própria música se chama “Death Metal”, uma declaração direta da direção que o Possessed estava ajudando a criar. O álbum termina deixando uma das marcas mais importantes de sua história.
O nascimento do Death Metal
É impossível falar sobre a história do Death Metal sem mencionar Seven Churches.
Antes dele, bandas como Venom, Slayer e Hellhammer já haviam levado o Heavy Metal para territórios muito mais extremos.
O Possessed, porém, ajudou a conectar esses elementos em uma sonoridade que seria reconhecida como Death Metal. A música era mais rápida, os vocais mais ásperos e as temáticas ainda mais macabras.
A própria descrição histórica do álbum destaca justamente essa conexão entre Thrash e Death Metal.
Larry LaLonde: antes do Primus
Um dos detalhes mais interessantes da história de Seven Churches é a presença de Larry LaLonde.
Anos depois, LaLonde se tornaria mundialmente conhecido como guitarrista do Primus. Mas antes disso, ele participou de um dos discos fundamentais do metal extremo.
Sua participação em Seven Churches mostra como a cena underground da Bay Area estava interligada e como músicos que posteriormente seguiriam caminhos bastante diferentes estavam experimentando novas possibilidades dentro do metal.
O legado
Seven Churches não teve inicialmente o impacto comercial de grandes lançamentos do Heavy Metal ou do Thrash. Sua importância cresceu principalmente dentro do underground.
Com o passar dos anos, entretanto, o álbum passou a ser reconhecido como uma peça fundamental da história do gênero. A própria Metal Archives registra dezenas de avaliações altamente positivas do disco, refletindo sua importância duradoura entre fãs de metal extremo.
O mais impressionante é que tudo isso aconteceu em 1985, quando o Death Metal ainda nem havia se consolidado como cena musical independente.
Um dos discos fundamentais do metal extremo
Álbum: Seven Churches
Banda: Possessed
Lançamento: 1985
Gravadora: Combat Records
Produção: Randy Burns
Gravação: 30 de março a 5 de abril de 1985
Duração: aproximadamente 39 minutos
Estilo: Death Metal / Thrash Metal
Faixas: 10
Seven Churches é um daqueles discos que precisam ser entendidos dentro de seu contexto histórico. Atualmente, algumas de suas características podem parecer familiares porque foram copiadas, desenvolvidas e aperfeiçoadas por centenas de bandas.
Em 1985, porém, aquilo era extremamente novo.
O Possessed não inventou sozinho tudo aquilo que viria a ser o Death Metal, mas Seven Churches foi um dos discos que transformaram aquela combinação de velocidade, agressividade, horror e caos em uma identidade própria.
Um clássico absoluto e um dos pilares sobre os quais o Death Metal foi construído.
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